Aconteceu nesta quinta-feira (14), no CIESP regional de Presidente Prudente, o workshop executivo “NR-1 na Prática: de obrigação legal a vantagem competitiva”, voltado à atualização da Norma Regulamentadora que entra em vigor em 26 de maio de 2026. O encontro reuniu empresários e especialistas para debater os impactos da saúde mental e dos riscos psicossociais no ambiente corporativo.
A iniciativa é do grupo Coalizão Empresarial, que integra a Acipp (Associação Comercial e de Inteligência de Pres. Prudente), grupo Lidera, Ciesp e UEPP (União das Entidades de Pres. Prudente e região) em conjunto com a Secretaria Desenvolvimento Econômico do Estado de São Paulo.
Durante o workshop, foram apresentados dados alarmantes sobre os impactos do adoecimento mental nas empresas. Segundo as informações divulgadas, os afastamentos por burnout cresceram 493% entre 2021 e 2024. O levantamento também aponta que os transtornos mentais já geraram R$ 31,8 bilhões em despesas monitoradas pelo governo, além de 472,3 mil concessões de auxílio-doença relacionadas à saúde mental, evidenciando os reflexos diretos na produtividade, no clima organizacional e nos resultados das empresas.
De Brasília, o especialista em comportamento humano Manassés Queiroz destacou que a NR-1 não deve ser vista apenas como uma obrigação legal, mas também como uma oportunidade estratégica para as empresas. Segundo ele, ao preservar talentos e potencializar os recursos humanos, as organizações conseguem crescer de forma mais sustentável e produtiva. “O adoecimento mental tem provocado impactos financeiros e operacionais cada vez mais significativos nas organizações, destacando a necessidade de criar ambientes de trabalho mais saudáveis, inclusivos e preparados para lidar com as questões emocionais dos colaboradores”, destacou Manassés.
Para a médica psiquiatra Dra. Valquíria Belonci Cacciari, a saúde mental foi negligenciada durante muitos anos e que, atualmente, pessoas com transtornos mentais podem encontrar pertencimento também no ambiente de trabalho. A psicóloga especialista em saúde corporativa Cláudia Neves Marsola enfatizou a importância de as empresas compreenderem os riscos psicossociais e atuarem de forma preventiva diante dos problemas emocionais enfrentados pelos colaboradores, evitando desgastes internos e impactos maiores para empregadores e equipes.
Conforme o presidente da UEPP, Ricardo Macedo, as maiores dúvidas dos empresários estão relacionadas à forma de identificar esses riscos e às medidas práticas que podem ser adotadas. “A saúde mental deixou de ser apenas uma pauta social para se tornar estratégica dentro das organizações, e a adaptação à norma não exige grandes investimentos, mas mudanças simples e efetivas na gestão”, pontuou.
Novas exigências da NR-1
Entre as mudanças mais relevantes da atualização da NR-1 está a inclusão explícita dos riscos psicossociais no GRO (Gerenciamento de Riscos Ocupacionais) e no PGR (Programa de Gerenciamento de Riscos). Na prática, fatores como estresse, burnout, assédio moral, violência no trabalho, sobrecarga e conflitos interpessoais deverão ser identificados, avaliados e tratados preventivamente pelas organizações.
